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UpdateFM
today28 de outubro de 2026
A marca Cidade de Deus carrega um peso histórico e cultural inegável no cenário brasileiro. Conectando duas épocas marcantes do país desde a construção inicial das comunidades e favelas até os desafios enfrentados vinte anos depois, a obra se consolidou como um retrato fiel e profundo das vivências periféricas.
Durante a apresentação da segunda temporada do projeto, destacou-se a importância vital de continuar contando essas histórias. Embora traga relatos muitas vezes assustadores e difíceis de reviver, a narrativa cumpre um papel transformador: invadir lares, amplificar vozes e escancarar a força imensa que a arte e o audiovisual possuem.
O Poder Coletivo e a Liderança Feminina
Fazer parte de uma produção dessa magnitude é descrito pela equipe não apenas como um privilégio, mas como uma honra e um marco histórico. O projeto brilha ao reunir um elenco de peso, diretores talentosos e, de forma muito especial, mulheres ocupando espaços de poder e liderança na produção.
Essa representatividade nos bastidores fortalece a premissa de que a segunda temporada chega com uma entrega intensa de todos os envolvidos, prometendo ser uma continuação revolucionária e imperdível para o público.

A Evolução dos Personages, Subjetividade e o Novo Núcleo Político
Nesta nova fase, o público acompanhará o amadurecimento e a evolução de personagens marcantes, como Buscapé e Berenice. Suas trajetórias refletem novos desafios em suas profissões, muitas vezes sendo empurrados a ocupar posições e lugares que não necessariamente planejaram, mas onde precisam estar.
Se na primeira temporada esses personagens estavam “engatinhando” e construindo sua identidade celebrando o fato de ganharem nomes, passados, presentes, desejos e conflitos, na segunda temporada eles se tornam verdadeiramente donos de suas vidas, de suas escolhas e daquilo que desejam trazer para a sociedade e para a comunidade.
A segunda temporada aprofunda a subjetividade dos personagens, permitindo que a audiência entre na “casa” deles para compreender seus anseios, medos, sonhos, dores, prazeres e silêncios. Mantendo a intensidade, o tiroteio e as marcas registradas da franquia, os novos episódios ampliam o senso de comunidade mostrando como a intimidade e as relações dentro das casas constroem o tecido social da favela.
Além disso, a trama expande seu universo para a esfera política, funcionando também como um thriller político forte. A história passa a refletir como o microcosmo da comunidade e espelha o que é gerado e tramado nos gabinetes. O projeto também marca o retorno de figuras como o diretor Sandro Senatore e a atuação de Matheus, consolidando uma narrativa ainda mais complexa, completa e engajadora.

O Retorno de Cenoura com Matheus Nachtergaele: Metodologia e Reflexão
Um dos grandes destaques desta nova fase é o reencontro com o icônico Sandro Cenoura? personagem que enfrentou o Zé Pequeno no filme original e que retorna após deixar a prisão. O ator Matheus Nachtergaele relata que a feitura de Cenoura sempre teve um processo singular em sua carreira e detalha como foi esse reencontro com o personagem e a metodologia de imersão:
“Ao longo da minha vida, muitos, muitos, muitos personagens atravessaram essa carne aqui, e aí a carne e o espírito, tudo junto, né? Da maioria deles, eu saberia te dar uma genealogia completa e te descrever o arco dramático deles com precisão. Mas a feitura do Sandro Cenoura para mim sempre foi diferente.”
Nachtergaele relembra que, nos ensaios, a proposta era abandonar o status de estrela para mergulhar no método dos novos atores, focando na convivência e na escuta nas ladeiras dos morros:
“Eu fui para conviver com as pessoas, para aprender com eles como se fala, como se anda, para pelas ladeiras dos morros do Brasil entender o humor que se pode ter e a dor que se pode ter, o perigo que tem e a paz que também tem. Entendi que o Cenoura era um tipo de um sorriso.”
Na trama da nova temporada, o ator explica o papel do traficante após anos afastado:
“(…) ele tá na criminalidade, mas ele é o detentor de uma ética, e acho que ele tem um bom coração. A atividade a qual ele pertence é criminosa. Então é isso, assim, não se faz dele um herói, nem se fez dele um herói na época do primeiro filme… e é na segunda temporada agora, trazido de volta a pedido da comunidade, para tentar aplacar a violência dos meninos, que estão cheios de testosterona e violência, e é ele que vai tentar… ensinar um tipo de ética da bandidagem, se é que isso existe, acho que existe. Sabe aquele malandro bonito que a gente gostava nas músicas do Chico Buarque, aquele malandro cheio de ética? É disso que eu estou falando.”
Mesmo para quem acompanhou de perto a produção, os roteiros e a montagem, a nova temporada promete emocionar. A narrativa conta com reviravoltas marcantes, atuações impactantes e finais de episódio descritos como fantásticos e surpreendentes, capazes de prender a atenção e comover até mesmo quem já conhece a fundo os caminhos da história.
A segunda temporada de “Cidade de Deus: A Luta Não Para” estreia no dia 8 de novembro na HBO Max e no canal por assinatura HBO.
Escrito por Fabiana Santoro
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