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A Superliga segue sem Tifanny: uma nova regra interrompe a trajetória da atleta no meio da carreira

today6 de novembro de 2026

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A Superliga Feminina 2026/27 já começou, mas Tifanny Abreu não pode seguir em quadra pelo Osasco. Na sexta-feira (6), a Justiça negou um novo pedido de liminar da atleta, mantendo os efeitos da decisão que a impede de disputar competições organizadas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). O processo continua em andamento, enquanto a temporada segue sem ela.

Tifanny atua na elite do vôlei brasileiro desde 2017, quando estreou na Superliga após receber autorização da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da CBV. Quase uma década depois, a oposta vê sua participação ser interrompida por uma mudança nas regras de elegibilidade. A nova política da CBV exige um teste genético negativo para o gene SRY para a participação nas competições femininas.

A Confederação anunciou a política em agosto e decidiu aplicá-la já na temporada 2026/27, incluindo a Superliga. A medida foi apresentada como alinhamento às diretrizes do COI, da FIVB e da Confederação Sul-Americana de Voleibol. O próprio COI, porém, informa que sua política será aplicada aos eventos olímpicos a partir de Los Angeles 2028 e que não é retroativa. A escolha de antecipar a implementação nas competições nacionais foi da CBV.

O efeito dessa mudança sobre a vida de uma atleta profissional não é abstrato. Tifanny já disputava a competição, tinha contrato com o Osasco e havia contribuído para a campanha que levou o clube à Supercopa. Quando a temporada começou, a situação chegou a mudar temporariamente: em 16 de outubro, uma liminar permitiu que ela jogasse a Supercopa e a Superliga. Na final contra o Praia Clube, marcou 15 pontos, recebeu o Troféu VivaVôlei e ajudou o Osasco a conquistar o título. Dias depois, a liminar foi suspensa; em 23 de outubro, o STJD também rejeitou o pedido da atleta.

Desde então, Tifanny acumula novas negativas enquanto tenta reverter a situação. Em 6 de novembro, a Justiça voltou a negar um pedido de liminar. Isso não encerra o processo, mas mantém a atleta fora das competições da CBV enquanto a disputa continua. A temporada corre, e cada rodada sem Tifanny representa mais uma oportunidade de trabalho e de competição que ela não pode exercer.

A mobilização em apoio a Tifanny também chegou às arquibancadas: torcedores do Osasco e de outros clubes se uniram em uma carta aberta e em uma campanha de assinaturas pela permanência da atleta na Superliga. Enquanto aguarda novos desdobramentos, Tifanny continua integrada à rotina do Osasco: segue treinando com o elenco e viajou com a equipe para os compromissos da competição, mesmo sem poder entrar em quadra.

A CBV afirma que sua política é uma norma geral, aplicável igualmente às atletas, e que está alinhada aos critérios das entidades esportivas internacionais. A discussão sobre os parâmetros adotados merece ser feita com responsabilidade. Também é preciso olhar para a forma como a mudança foi implementada: uma regra nova passou a afetar uma atleta que já competia profissionalmente havia anos, sem um período de transição que permitisse planejar o impacto na carreira.

Aos 41 anos, Tifanny já disse que queria jogar esta Superliga antes de se aposentar. Depois de vencer o Campeonato Paulista, evitou tratar aquela conquista como despedida e afirmou que continuaria lutando para voltar às quadras. Não cabe transformar esse desejo em anúncio de aposentadoria, mas ele dá dimensão ao que está em jogo: a possibilidade de encerrar uma trajetória no tempo e nas condições escolhidas pela própria atleta.

Uma política esportiva pode estabelecer critérios. Sua aplicação também precisa considerar o impacto concreto sobre quem dedicou anos ao esporte e já estava em atividade quando as regras mudaram. No caso de Tifanny, a consequência é direta: enquanto a Justiça analisa o processo, ela segue impedida de jogar a Superliga que queria disputar.

Escrito por Luisa Leão


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