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UpdateFM
today25 de julho de 2026
Créditos: André Nicolau
Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (24), Anitta comentou o processo criativo de EQUILIBRIVM II, revelou bastidores da produção do álbum, falou sobre a pausa na carreira internacional, os planos para a turnê e respondeu às comparações entre seus trabalhos e os de outros artistas.
Logo no início da coletiva, a cantora contou que algumas músicas descartadas de EQUILIBRIVM acabaram encontrando espaço na continuação do projeto.
“Algumas músicas já estavam prontas, a gente não encaixou no ‘EQUILIBRIVM I’, mas o que eu estava ouvindo era o ‘EQUILIBRIVM I’. Assim que acabou de sair o I, começamos a fazer o II. Eu me senti muito feliz lançando esse projeto.”
Anitta também revelou que EQUILIBRIVM II inicialmente seria um álbum voltado ao mercado internacional e que parte desse material acabou sendo adaptado para o português.
“Ele era [EQUILIBRIVM II] para ser um projeto internacional, com as músicas internacionais que já estavam prontas. Até transformamos algumas para o português, como ‘Respira’, por exemplo.”
Na sequência, ela explicou que a boa recepção do primeiro álbum influenciou diretamente a construção da continuação.
“Acho que faltava só um forró mesmo, porque minha família é paraibana. A gente precisava muito ter um forró, na minha opinião. Para honrar esse lado da minha família.”
Ao falar sobre as participações especiais do projeto, Anitta destacou a emoção de ter Maria Bethânia no álbum.
“Chamamos a Bethânia para fazer aquele poema e, quando ela aceitou, eu demorei até para acreditar, porque eu amo muito ela. Ela é uma referência muito grande na minha vida. Nunca foi uma referência no meu trabalho, porque minha música não tinha nada a ver com a dela, mas, obviamente, para o ‘EQUILIBRIVM’ ela tem tudo a ver, está sendo uma grande referência. Ela é uma referência de vida, de arte, de tudo que eu acho belo, criativo e perfeito.”
Sobre a turnê de EQUILIBRIVM, a artista afirmou que o público pode esperar uma experiência imersiva.
“O evento como um todo vai ser um evento bem imersivo, assim como os ensaios são. O evento como um todo vai ter isso. Obviamente, totalmente diferente dos ensaios, né? No palco, a gente também vai trazer bastante a ideia dos visuais.”
Anitta também comentou o que a motivou a produzir o curta-metragem de EQUILIBRIVM II e os desafios de investir em um projeto audiovisual desse porte.
“Hoje em dia, não vale mais a pena, financeiramente, fazer um projeto desse tamanho, dessa magnitude. É realmente muito caro. É um retorno financeiro que, se vier, vai demorar bastante para vir. […] É difícil a disputa com tanta atenção na internet. Eu botei para assistir junto com um amigo meu (os visuais do álbum). Tinha amigo que não conseguia assistir inteiro sem pegar o telefone para cutucar, e a gente tá falando de um vídeo de 35 minutos. […] O que me motivou a fazer é que eu tinha uma vontade muito grande de passar essa mensagem, que, para mim, era muito importante para o público. Eu acho que o artista nunca pode perder a vontade de fazer uma revolução nos pensamentos das pessoas. Acho que é para isso que a arte existe. De vez em quando, eu acho importante gastar mesmo esse dinheiro para fazer algo que você sabe que vai impactar a vida das pessoas. Eu acho que o meu trabalho é muito pensado nisso.”
A cantora também revelou que foi responsável por escrever todo o roteiro dos visuais do projeto.
“Eu escrevi o roteiro inteiro, do início ao fim. Cada coisinha que ia acontecer, cada ideia de cada visual, eu escrevi, e depois foi lapidado. […] Eu escrevi tudo isso porque foi uma experiência de vida que eu passei, obviamente resumida ali para ficar dinâmica.”
Durante a coletiva, Anitta também comentou a pausa em sua carreira internacional e explicou os motivos que a levaram a desacelerar o ritmo de trabalho:
“A música ‘Sem Pressa’, para mim, ficou muito importante. Essa música me relembrou o porquê de eu ter dado um passo para trás da minha carreira internacional. No sentido de que, para ter uma carreira internacional juntamente com a do Brasil, sem abandonar o meu país, que é o que eu sempre quis, porque feliz eu sou no Brasil… Posso ter desejos profissionais internacionalmente, mas felicidade, o que me traz mesmo, é o meu país. Para manter as duas carreiras, eu abdicava muito do meu tempo de vida, do meu tempo para mim. Isso me tornava uma pessoa muito estressada, com muitos gatilhos, com muita dificuldade de crescer internamente. […] Começou a me dar essa vontade de lançar a segunda parte do álbum internacional, por conta de já estar bem, já estar ótima. Eu achei que era um caso ganho e, quando eu fui fazer esse filme, trabalhando todos os dias, de segunda a sábado, voltei a ter o ritmo de trabalho que eu tinha antigamente. Eu andei para trás em toda a evolução interna que eu tinha adquirido nesse tempo. […] Então, se talvez eu voltar a fazer uma coisa internacional, eu tenho que planejar bastante como eu vou fazer isso para eu ter o meu tempo para mim. Senão, eu volto tudo como era antes e coloco tudo por água abaixo.”
Comparando Funk Generation e EQUILIBRIVM, a artista afirmou que o novo projeto representa uma versão mais completa de quem ela é.
“O ‘Funk Generation’ pode trazer uma parte minha, mas é uma parte minha incompleta, porque não traz a minha parte interior, que eu sei que é profunda. Eu tenho a parte brincalhona, doida, maluca, que zoa, bebe e curte, mas eu tenho uma parte muito profunda, e eu acho que o ‘EQUILIBRIVM’ traz isso. Eu danço, eu curto, falamos de sexo, falamos de amor, falamos de profundidade, falamos de tudo um pouco. Traz todos os meus pedaços, inteira.”
Sobre a possibilidade de levar a turnê de EQUILIBRIVM para outras capitais, Anitta afirmou que a expansão dependerá da resposta do público e do cenário do entretenimento no país.
“A gente precisa ser realista e entender o cenário da cultura brasileira, a economia brasileira em um momento bem complicado com o entretenimento, muito por conta do vício das pessoas em bets. A economia não gira, o dinheiro não gira, o vício das pessoas em telefone faz elas terem menos vontade de sair e a dificuldade das pessoas de irem para um projeto novo, que ainda não sabem como é. Então, a gente tem que ver como vai ser. Sou uma pessoa muito pé no chão, eu não tenho ego nenhum de falar. Sou uma mulher de negócios que entende que você fazer um evento como os Ensaios, que já foram um fracasso no início e hoje são um sucesso absoluto, você tem que ter persistência e tem que entender de mercado. Então, a gente vai fazendo as coisas e analisando. Dependendo de como for essa primeira fase da turnê, a gente vê se vai ter outra ou não.”
Por fim, Anitta comentou as frequentes comparações entre seus trabalhos e os de outros artistas e criticou a necessidade de comparar projetos diferentes apenas para encontrar referências.
“Eu acho que existe uma necessidade das pessoas de comparar os artistas. Eu acho isso pobre de espírito, eu acho pobre de percepção. Comparações… Quando você compara uma coisa com a outra, ainda mais coisa que não tem nada a ver uma com a outra, é porque ou você não pesquisou, não se aprofundou em um, ou não se aprofundou no outro. Não buscou se aprofundar no trabalho. As pessoas têm uma necessidade muito grande de comparar as coisas para que elas saibam associar. Como é que… ‘O que é isso aqui?’. Não. Isso aqui é novo, é uma mudança, é algo novo. Pense como algo novo. Não precisa ter uma comparação, né? Igual quando alguém vem com um prato novo para você experimentar, você pergunta: ‘É tipo o quê?’. Não sei. Come aí. Come aí o prato e vê se você gosta ou não gosta. Não precisa ser tipo alguma coisa. O cérebro da gente não precisa estar sempre buscando alguma coisa para ser ‘tipo tal coisa’. Sempre passei por isso na minha carreira e sempre foi difícil para mim entender, porque eu fico com essa dificuldade, porque eu não tenho esse pensamento. Para mim, eu vejo as coisas como algo novo. Não preciso estar associando a outra coisa. E é isso, gente.”
Escrito por Maria Fernanda Bierrenbach
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