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today2 de setembro de 2026
Jotapê, Apollo e Negrote ganharam a BDA 10 anos l Foto: @op0eta__
Grande final marcou o encerramento de uma edição histórica da Batalha da Aldeia, que reuniu 48 MCs no Vale do Anhangabaú e celebrou a evolução da cultura hip-hop com diversidade, encontros entre gerações e diferentes expressões da cena.
O Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, foi palco de uma grande celebração da cultura hip-hop no último sábado (29). A BDA 10 ANOS – Raízes da Nova Terra reuniu MCs de diferentes gerações para celebrar os dez anos da Batalha da Aldeia, competição que nasceu nas ruas de Barueri e, ao longo da última década, se consolidou como uma das principais plataformas de batalhas de rima do país.
A edição comemorativa contou com 16 trios e 48 MCs na disputa pelo título, além de uma programação que ampliou a celebração para diferentes linguagens da cultura hip-hop. O público acompanhou competições de DJs, breaking, graffiti e ainda um freestyle especial com Emicida, Projota e Rashid.
Mais do que marcar o aniversário da BDA, a edição também reuniu diferentes gerações, trajetórias e perspectivas que ajudaram a construir a história da competição ao longo dos últimos dez anos.
A BDA 10 ANOS entrou para a história também como a edição de aniversário com maior representatividade da competição. Ao todo, dez participantes ligados à presença de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ integraram os trios da edição: Devilzinha, Naia, Sofia, Winnit, Luh do Click, Levinsk, Valle, Kaemy, Ravena e Mano Ayron.
A presença desses nomes representa um movimento de ampliação dos espaços ocupados por diferentes grupos dentro da cena das batalhas de rima.
Entre as participantes, Luh do Click destacou o significado de chegar ao palco da BDA depois de crescer em uma cidade onde não havia batalhas de rima. Para a MC, a competição representa “perspectiva” e estar naquele espaço era a realização de um sonho.
A diversidade também esteve presente nos próprios confrontos da primeira fase. Naia, Devilzinha e Sofia, por exemplo, enfrentaram Jotapê, Negrote e Apollo. Já Winnit, Kaemy e Vinicius ZN encararam Tubarão, Kant e Tavin. Em outro confronto, Ravena, Araps e WL BXD avançaram após vencerem Valle, WM e Acuca.
A participação desses MCs em uma edição tão simbólica reforça uma transformação importante na cena: a possibilidade de diferentes artistas e trajetórias ocuparem espaços de destaque em uma das maiores celebrações das batalhas de rima no Brasil.
Com 16 trios na competição, a BDA 10 ANOS colocou frente a frente nomes já conhecidos pelo público e representantes de diferentes gerações da cena.
Vitú, Grafiteh e MT começaram a campanha com uma vitória por 3 a 0 sobre Dudu, Thiago e Jaya Luuck. Nas quartas de final, o trio protagonizou uma das disputas mais equilibradas da competição contra Xamuel, Bask e Brennuz, vencendo por 3 a 2 e garantindo uma vaga na semifinal.
Antes disso, Xamuel, Bask e Brennuz haviam estreado com outra vitória apertada: 3 a 2 sobre Baueb, Mano Ayron e Luh do Click.
Do outro lado da chave, Cesar MC, Barreto e Big Mike construíram uma campanha sólida até a grande decisão. O trio venceu Zap, Ajota e Menor por 3 a 1, superou Tubarão, Kant e Tavin nas quartas de final e, na semifinal, derrotou Vitú, Grafiteh e MT.
Já Jotapê, Apollo e Negrote tiveram uma trajetória dominante. O trio começou a competição vencendo Naia, Devilzinha e Sofia por 3 a 0. Nas quartas de final, repetiu o placar contra Ravena, Araps e WL BXD e, na semifinal, venceu NEO, Japa e Levinsk novamente por 3 a 0.
O resultado colocou o trio diante de Cesar MC, Barreto e Big Mike na disputa pelo título.
A grande final reuniu dois dos trios que mais se destacaram ao longo da competição. De um lado, Jotapê, Apollo e Negrote. Do outro, Cesar MC, Barreto e Big Mike.
Em uma decisão equilibrada, o título foi definido em 3 a 2. Melhor para Jotapê, Apollo e Negrote, que levantaram o troféu da BDA 10 ANOS – Raízes da Nova Terra e encerraram a noite como os grandes campeões da edição comemorativa.
Além do título, Jotapê foi eleito o MVP da competição, sendo reconhecido como um dos principais destaques da celebração dos dez anos da Batalha da Aldeia.
A celebração também serviu para revisitar diferentes momentos da trajetória da BDA e mostrar o impacto que a competição teve na vida de quem passou por ela.
Menor MC, que chegou à Batalha da Aldeia quando a competição completava dois anos, falou sobre a relação construída com o evento ao longo do tempo e destacou o caráter histórico de participar da celebração de uma década.
“É algo muito histórico para mim”, contou o MC ao falar sobre sua trajetória junto à BDA.
Outro destaque da edição, MT, também ressaltou a dimensão que a competição alcançou. Para o MC, a BDA é “a maior batalha do Brasil” e representa uma porta aberta para quem deseja transformar a rima em caminho profissional.
As diferentes perspectivas ajudam a dimensionar o impacto da competição: para alguns, a BDA se tornou parte da própria história; para outros, representa uma oportunidade de construir um futuro através da cultura hip-hop.
Criada em 2016, em Barueri, a Batalha da Aldeia cresceu junto com a cena das batalhas de rima. Em dez anos, passou a reunir MCs de diferentes regiões, trajetórias e gerações, ampliando o alcance de uma cultura que tem as ruas como uma de suas principais raízes.
A escolha do Vale do Anhangabaú para a celebração dos dez anos também simbolizou esse crescimento. No centro de São Paulo, a BDA transformou um dos espaços mais conhecidos da cidade em um grande encontro da cultura hip-hop, reunindo rima, música, breaking, graffiti e diferentes formas de expressão artística.
A edição comemorativa também mostrou que a história da BDA não é construída apenas pelos campeões. Ela passa pelos MCs que chegaram pela primeira vez, por aqueles que retornaram anos depois, pelas novas gerações que encontraram na competição uma oportunidade e por uma cena cada vez mais diversa ocupando seus espaços.
Ao fim da noite, o troféu ficou com Jotapê, Apollo e Negrote. Mas a BDA 10 ANOS deixou o Vale do Anhangabaú com uma celebração que vai além do resultado da grande final: dez anos de rima, encontros, oportunidades, representatividade e transformação dentro da cultura hip-hop brasileira.
você vai me encontrar entre o rap feminino, a cultura pop e o vôlei l @luis4leao nas redes vizinhas
Escrito por Luisa Leão
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