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Festival do Rio 2026 reúne grandes estreias, cinema brasileiro e uma Gala de Abertura em destaque

today29 de setembro de 2026

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Em sua 28ª edição, festival ocupa o Rio de Janeiro entre 1º e 11 de outubro com filmes premiados internacionalmente, mais de 100 produções brasileiras, mostras competitivas, debates e uma programação que chega a diferentes regiões da cidade

O Rio de Janeiro volta a respirar cinema. Entre os dias 1º e 11 de outubro, a cidade recebe a 28ª edição do Festival do Rio, que reúne produções brasileiras e internacionais, estreias, sessões especiais, mostras competitivas, debates, masterclasses e encontros com profissionais do audiovisual.

Criado em 1999, o festival chega a mais uma edição mantendo uma característica que acompanha sua história: colocar lado a lado diferentes cinematografias e levar ao público carioca filmes que passaram por alguns dos principais festivais do mundo. Em 2026, a programação reúne obras exibidas em Cannes, Veneza, Berlim, Sundance, Toronto e outros eventos importantes do circuito internacional.

E a programação começa com uma produção que chamou atenção em Cannes.

uma abertura com “a bola preta”

A Gala de Abertura acontece no dia 1º de outubro, no tradicional Cine Odeon, com a estreia brasileira de “A Bola Preta” (La Bola Negra), dirigido pelos espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi, conhecidos como Los Javis.

O filme teve sua première mundial no Festival de Cannes, onde os diretores receberam o prêmio de Melhor Direção. A produção também foi ovacionada durante cerca de 20 minutos após a exibição.

Inspirado em uma obra inacabada de Federico García Lorca, “A Bola Preta” acompanha três histórias ambientadas em diferentes momentos da Espanha: 1932, durante a Guerra Civil em 1937, e 2017.

As narrativas se conectam por temas como desejo, sexualidade, repressão, identidade e memória. O elenco reúne nomes como Penélope Cruz, Glenn Close, Guitarricadelafuente, Miguel Bernardeau, Carlos González e Milo Quifes.

O filme também chega ao Rio cercado pelas expectativas da temporada de premiações. Segundo o próprio Festival do Rio, a produção está entre os títulos internacionais que movimentam a corrida pelo Oscar 2027.

Depois da Gala para convidados, o longa terá sessões abertas ao público durante o festival.

o cinema brasileiro no centro da programação

Se a abertura coloca os holofotes sobre uma produção espanhola, a Première Brasil continua sendo um dos principais pilares do Festival do Rio.

Em 2026, a mostra reúne 110 filmes, selecionados entre quase 1.500 longas e curtas inscritos. A seleção apresenta diferentes gêneros, formatos, linguagens e gerações do audiovisual brasileiro.

A Première Brasil conta com competições de longas e curtas e com a competição Novos Rumos. Os filmes concorrem ao tradicional Troféu Redentor, enquanto o público também participa da escolha dos vencedores em categorias específicas.

Entre as produções brasileiras presentes estão “100 Dias”, de Carlos Saldanha, “Feito Pipa”, de Allan Deberton, e “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins.

Os três filmes têm ainda um ponto em comum: estavam entre os seis títulos pré-selecionados pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2027 na categoria de Melhor Filme Internacional.

A programação da Première Brasil também se divide em diferentes caminhos, incluindo Novos Rumos, Hors Concours, Retratos, Itinerários Únicos, O Estado das Coisas, Nova Geração, Panorama Carioca, Séries Brasileiras e Midnight Movies.

de Cannes a Veneza

O Festival do Rio também funciona como uma espécie de ponte entre o público brasileiro e o circuito internacional de cinema.

Entre os títulos selecionados para 2026 estão produções que passaram por Cannes, Veneza, Berlim e Sundance. A lista inclui nomes conhecidos como Hirokazu Kore-eda, Asghar Farhadi, Danny Boyle e Karim Aïnouz.

Um dos destaques é “Rosebush Pruning”, novo filme de Karim Aïnouz, estrelado por Callum Turner, Riley Keough e Elle Fanning. O longa terá sua première brasileira na mostra Panorama Mundial.

Também estão na programação “Ink”, novo trabalho de Danny Boyle, exibido na abertura do Festival de Veneza, “Coward”, de Lukas Dhont, e a animação “Jim Queen”, de Nicolas Athané e Marco Nguyen.

A seleção internacional ainda reúne filmes premiados em diferentes festivais. Entre os exemplos estão “A Bola Preta”, vencedor de Melhor Direção em Cannes, “Coward”, que levou prêmios de Melhor Ator e do Cinema Positivo na Croisette, e produções reconhecidas em Sundance.

uma programação para diferentes públicos

A diversidade também aparece nas mostras.

A Panorama Mundial concentra filmes contemporâneos de diferentes países e trabalhos de cineastas já reconhecidos. A Expectativa abre espaço para novos realizadores, enquanto a Première Latina apresenta produções da América Latina.

Para quem gosta de terror, suspense e cinema de gênero, a Midnight Movies reúne títulos que passam por diferentes linguagens, incluindo produções mais provocadoras.

Já Itinerários Únicos apresenta documentários dedicados a personalidades e temas ligados às artes e à cultura, enquanto Clássicos & Cults recupera obras importantes da história do cinema.

A edição também aposta em clássicos e filmes cult. Entre os destaques estão “A Piscina”, de Jacques Deray, estrelado por Alain Delon, Romy Schneider e Jane Birkin, e “Corações Desertos”, de Donna Deitch, considerado um dos filmes importantes do cinema independente lésbico norte-americano.

cinema para além das salas tradicionais

Uma das novidades do circuito de 2026 é a entrada do Centro Cultural FGV, em Botafogo, que terá programação totalmente gratuita durante o festival.

A edição também amplia sua presença no Cinesystem Belas Artes, com as seis salas do complexo integradas ao circuito.

O público poderá encontrar sessões ainda no Cine Odeon, Estação Claro Gávea, Estação Claro Rio, Cine Santa Teresa, CineCarioca José Wilker, Kinoplex São Luiz, Reserva Cultural Niterói, Centro Cultural Justiça Federal, CineCarioca Nova Brasília, CineCarioca Penha, Parque Realengo Susana Naspolini e Areninha Cultural Renato Russo.

A programação também chega ao Complexo do Alemão, à Penha, a Realengo e à Ilha do Governador. O projeto Cinema Circulação promove sessões gratuitas em diferentes regiões, enquanto o Programa Nova Geração aproxima cinema e educação com atividades voltadas ao público infanto-juvenil.

cinema também é encontro

O Festival do Rio não fica restrito à exibição de filmes.

O Armazém da Utopia, no Cais do Porto, continua como sede do evento. Com cinco mil metros quadrados, o espaço recebe encontros e debates e também abriga o RioMarket, área dedicada ao mercado audiovisual.

As Rodadas de Negócios do RioMarket acontecem de 5 a 9 de outubro em formato híbrido. Produtores, distribuidores, plataformas, canais, compradores e investidores do Brasil e do exterior participam dos encontros, com representantes de mercados como China, Índia, Coreia do Sul, Rússia, Canadá e França.

A programação inclui ainda palestras, workshops, mesas-redondas e encontros voltados à profissionalização do setor.

É uma parte importante do festival que muitas vezes fica longe dos holofotes, mas ajuda a entender a dimensão do evento. O Festival do Rio também é espaço para negócios, formação e circulação de projetos.

duas galas para encerrar a edição

O encerramento acontece no dia 10 de outubro e terá duas sessões especiais no Cine Odeon.

Às 19h45, a Gala de Encerramento Brasileira apresenta “100 Dias”, novo filme de Carlos Saldanha, em sua première mundial. O longa acompanha a travessia de Amyr Klink pelo Atlântico Sul, realizada em um pequeno barco a remo.

Filipe Bragança interpreta o navegador, em um elenco que também conta com Philippine Leroy-Beaulieu, Felipe Camargo, Martha Nowill e Duda Mamberti.

A produção marca ainda o primeiro longa de ficção live-action de Carlos Saldanha filmado inteiramente no Brasil, depois de uma carreira internacional marcada por animações como “A Era do Gelo”, “Rio” e “O Touro Ferdinando”.

Mais tarde, às 21h45, será a vez de “Club Kid”, de Jordan Firstman, escolhido como Gala de Encerramento Internacional.

O filme teve sua estreia mundial na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes e acompanha Peter, um promoter de festas de Nova York que descobre ter um filho de dez anos após a morte da mãe da criança.

A chegada inesperada do garoto faz o protagonista repensar sua rotina marcada por festas, drogas, sexo e noites sem dormir. O próprio Firstman dirige, escreve e protagoniza o longa, que também tem Diego Calva, Cara Delevingne e Kirby Howell-Baptiste no elenco.

Os direitos do filme foram adquiridos pela A24 durante o Festival de Cannes, em uma negociação apontada pelo Festival do Rio como a maior transação financeira daquela edição.

e ainda tem festa

O cinema também ganha espaço na programação noturna.

No dia 9 de outubro, a plataforma brasileira de música eletrônica BOMA assina a Closing Party do Festival do Rio. A festa acontece na abertura do último fim de semana do evento e aproxima a programação cinematográfica da cena eletrônica.

A parceria é inédita e reforça uma característica cada vez mais presente nos grandes festivais: a experiência não termina necessariamente quando as luzes da sala de cinema acendem.

um festival que ocupa a cidade

Com onze dias de programação, dezenas de espaços e uma seleção que atravessa cinema brasileiro, produções internacionais, clássicos, novos realizadores e filmes de gênero, o Festival do Rio 2026 chega em um momento importante para o audiovisual.

A programação consegue colocar no mesmo circuito uma produção premiada em Cannes, um novo filme brasileiro, uma animação, um clássico dos anos 1960, um terror de Sundance e uma obra de um diretor estreante.

E talvez seja justamente essa mistura que continue fazendo sentido para um festival realizado no Rio.

Em 2026, o Festival do Rio não está apenas levando filmes para diferentes salas. Está colocando diferentes públicos, histórias e formas de fazer cinema para circular pela cidade.

Durante onze dias, o Rio vira novamente ponto de encontro para quem faz cinema, quem acompanha cinema e quem simplesmente quer descobrir o próximo filme favorito.

Escrito por Raquel Castro


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