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UpdateFM
today5 de novembro de 2026
A vitória consistente sobre o Grêmio e a disparada no campeonato nacional escancaram uma verdade amarga, a qualidade técnica do Flamengo é indiscutível, mas a maturidade tática e a entrega de investimentos milionários só apareceram quando a temporada já estava arruinada.
A vitória por 3 a 1 sobre o Grêmio no Maracanã, com atuação destacada de Pedro e Samuel Lino, expõe a maior contradição do Flamengo na temporada. Com cinco vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro, o clube abriu uma vantagem confortável na liderança e caminha a passos largos para erguer a taça. O problema é que esse futebol fluido e eficiente não passa de um lembrete cruel do que a equipe deixou de fazer quando a temporada realmente exigiu frieza.
As atuações recentes deixam claro que o problema rubro-negro nunca foi escassez de talento, mas sim a desconexão entre o custo de seu plantel e o retorno nos momentos de maior pressão.
O luxo nos pontos corridos
Existe um abismo entre o futebol burocrático e travado das partidas eliminatórias continentais e essa versão dominante exibida no campeonato de pontos corridos. Jogar com espaço, propor o ritmo e controlar adversários fragilizados no Brasileirão é o mínimo esperado para o elenco mais valioso da América do Sul, de modo que a facilidade atual não serve como atestado de evolução e prova que a comissão técnica e o grupo de jogadores falharam na gestão de intensidade quando a margem de erro era zero.
Essa mesma régua recai de forma implacável sobre o momento de Lucas Paquetá. Tratado como a grande referência e alvo de enormes esforços financeiros e contratuais da diretoria, o meia tem acumulado exibições abaixo das expectativas e carrega o peso do pênalti desperdiçado na eliminação para o Estudiantes na Copa Libertadores. Enquanto a cúpula rubro-negra parece mais preocupada em justificar os cifrões e a engenharia financeira para bancar e valorizar suas grandes estrelas, o desempenho em campo escancara prioridades invertidas, o torcedor financia e sustenta um investimento de peso que falhou justamente quando o sarrafo subiu.
No fim das contas, a constatação de que o Flamengo só reencontrou seu melhor futebol após a diminuição da pressão expõe que a diretoria e o departamento de futebol gastam mais energia blindando balancetes e vencimentos do que garantindo competitividade real nas horas decisivas.
O título nacional e o fantasma que permanece
A provável conquista do Brasileiro trará taça, premiação e alívio para a diretoria, mas não deve funcionar como um escudo protetor contra o tamanho do prejuízo sofrido no ano. O torcedor não pode aceitar a narrativa de “superação” para um grupo que custa caro, consome as atenções da cúpula do clube e decepcionou na principal frente do continente.
Atropelar os adversários na reta final do campeonato nacional é a obrigação de quem investe milhões. No entanto, o saldo final de 2026 deixa uma certeza indigesta: o Flamengo aprendeu a ser implacável e dominante exatamente quando a taça capaz de consagrar o seu ano já havia escapado pelas mãos.
Escrito por Fabiana Santoro
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