Música

Jorge Vercillo lança “Saara no Rio”, novo desabafo sobre política, guerras e polarização

today2 de outubro de 2025

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O cantor e compositor Jorge Vercillo lança, no próximo 2 de outubro, “Saara no Rio”, nova música com participação especial do cantor e guitarrista Rik Oliveira, revelado no The Voice Brasil. A faixa é a nona divulgada de forma avulsa do álbum que Vercillo prepara para sua próxima fase de carreira e que marcará seu 20º disco, Todo Sempre. 

O próprio título ajuda a traduzir uma das principais provocações da composição. “Saara no Rio” faz referência à região comercial do Saara, no centro do Rio de Janeiro, que inclui a Rua da Alfândega e adjacências, e à convivência entre famílias de diferentes origens, entre elas árabes e judias. Em uma canção que olha para guerras e conflitos internacionais, Vercillo encontra no Brasil um contraponto: povos historicamente colocados em lados opostos convivendo, trabalhando, formando famílias e compartilhando o mesmo espaço em harmonia.

A imagem ganha ainda mais significado diante das questões geopolíticas abordadas na música, que passa por conflitos no Oriente Médio e pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Sem transformar a composição em uma tomada de posição partidária, Vercillo questiona relações de poder, a submissão das populações às decisões de governos e os efeitos das guerras sobre aqueles que estão distantes dos centros de decisão.

“Saara no Rio é um desabafo geopolítico, lançado às vésperas de uma eleição tão importante no Brasil. Como artista, cidadão brasileiro e referência para uma nova geração, decidi me manifestar através desse Blues Shuffle Jazzístico, de caráter transgressor” , afirma Jorge Vercillo.

A composição também aborda o receio de pessoas públicas se posicionarem diante de temas políticos pela possibilidade de perder seguidores ou sofrer rejeição nas redes sociais. Em meio a essas provocações, a letra abre espaço ainda para a cannabis e para uma reflexão sobre como o Brasil lida com o tema e seus impactos sociais.

“Quando falo sobre a cannabis, minha intenção é provocar uma reflexão sobre a maneira como o Brasil trata essa questão e sobre como determinadas políticas podem acabar alimentando ciclos de violência e desigualdade. A música propõe olhar para esse tema por outro ângulo, especialmente quando pensamos nas comunidades mais afetadas por essa realidade ” , explica.

Ao tratar dos conflitos internacionais, Vercillo direciona sua crítica principalmente às consequências das guerras para as populações civis e à indústria que se alimenta desses confrontos.

“A música não dá nome aos bois, mas deixa clara a minha revolta com os massacres e o envio forçado de tantos civis para sustentar a ‘indústria das armas’ do primeiro mundo. Mais vale a conhecida frase: guerras são velhos poderosos que se odeiam, mandando jovens pobres que não se odeiam se matarem”, diz Vercillo.

“Saara no Rio” chega às plataformas digitais em 2 de outubro e integra a sequência de lançamentos avulsos que antecedem o novo álbum de Jorge Vercillo, Todo Sempre, seu 20º trabalho de carreira.


Sobre Jorge Vercillo

Com mais de três décadas de trajetória, Jorge Vercillo é um dos grandes nomes da música popular brasileira. Cantor, compositor e músico, construiu uma carreira sólida a partir dos anos 1990, emplacando sucessos nas rádios, trilhas sonoras de novelas e plataformas digitais. Ganhou por dois anos consecutivos o Prêmio da Música Brasileira por voto popular e vendeu cerca de dois milhões de discos.

Nos últimos anos, lançou álbuns como Vida é Arte e Nas Minhas Mãos, com colaborações de diferentes gerações, incluindo Thiaguinho, Timbalada, Péricles e Vitor Kley, reafirmando sua capacidade de dialogar com o presente sem perder a essência. Suas canções marcaram gerações e reafirmam sua relevância contínua, com um repertório autoral que transita entre MPB, R&B, world music, bossa nova e jazz.

Ao longo da carreira, firmou parcerias e participações com artistas como Fagner, Djavan, Ana Carolina, Milton Nascimento, Maria Bethânia, Leila Pinheiro, Roberto Menescal, Flávio Venturini, Timbalada, Marcos Valle, Pedro Mariano e Xande de Pilares. Álbuns como Raça Menina e Como Diria Blavatsky evidenciam sua densidade melódica, harmônica e poética, com canções de temas iniciáticos frequentemente citadas em salas de aula, teses acadêmicas, palestras de filosofia e na própria Escola Teosófica Brasileira.

Escrito por Redação UpdateCharts


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