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Kaemy, primeira mulher campeã do Duelo Nacional de MCs, fala sobre legado: “Abri o caminho pras próximas campeãs”

today4 de novembro de 2026

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O que começou com vídeos de batalhas de rima no YouTube se transformou em um marco para o hip-hop brasileiro. Em 2023, Kaemy se tornou a primeira mulher campeã do Duelo Nacional de MCs, uma das principais competições de freestyle do país. Representando Goiás, a artista foi a única mulher entre os 32 participantes daquela edição e escreveu seu nome na história do torneio.

Mais do que uma conquista individual, o título representou um avanço para a presença feminina nas batalhas e deu visibilidade à cena de freestyle goiana. Em entrevista exclusiva à UpdateCharts, Kaemy relembrou sua trajetória, os desafios enfrentados e o significado de abrir caminhos para outras mulheres no hip-hop.

Do YouTube ao título nacional

A relação de Kaemy com o freestyle começou de maneira espontânea. Assistindo a vídeos de batalhas no YouTube, a artista descobriu um universo que despertou seu interesse e, pouco tempo depois, percebeu que já reproduzia rimas naturalmente.

Antes de conquistar o título nacional, a MC havia participado de outras duas edições do Duelo. As experiências anteriores contribuíram para que desenvolvesse uma visão mais estratégica sobre a competição, especialmente em relação ao regulamento e às exigências do torneio.

Em 2023, os anos de dedicação se transformaram em uma conquista histórica. Ao recordar o momento em que percebeu que havia vencido, Kaemy descreveu a emoção de ver sua caminhada recompensada.

“Passa um filme na cabeça né, toda correria, todos os anos de caminhada, é uma sensação de dever cumprido”, relembrou.

“Ser a primeira tem um peso diferente”

Entre os 32 MCs que disputaram aquela edição, Kaemy era a única mulher. Embora reconheça as dificuldades de ocupar esse espaço, a artista conta que procurou não deixar que a situação interferisse em seu desempenho.

“Sempre mais complicado, mas tentei ver pelo lado bom, não me apeguei a isso e fui na busca do meu objetivo”, explicou.

A conquista, no entanto, ultrapassou os limites da competição. Ao se tornar a primeira mulher campeã do Duelo Nacional, Kaemy também passou a representar uma possibilidade concreta para outras artistas que desejam alcançar o mesmo espaço.

“Ser a primeira tem um peso diferente, sinto que abri o caminho pras próximas campeãs nacionais e tenho muito orgulho disso.”

A vitória também gerou diferentes reações entre o público, incluindo questionamentos sobre o resultado. Para a rapper, as divergências fazem parte do universo competitivo das batalhas.

“O resultado nunca vai agradar todo mundo, as pessoas torcem e levam muito a sério isso, nosso dever como MC é rimar bem e esperar o resultado”, afirmou.

O orgulho de representar Goiás

Além do pioneirismo feminino, a conquista teve um significado especial para a cena de hip-hop de Goiás. Fora dos principais centros de projeção do freestyle brasileiro, a região ainda enfrenta dificuldades para conquistar reconhecimento nacional.

Para Kaemy, vencer o Duelo representando um estado onde o sertanejo predomina no cenário musical também foi uma maneira de fortalecer o sentimento de pertencimento dos artistas locais.

“Acho que trouxe mais pertencimento pra nós, como não somos o eixo acaba que quase nenhum olhar vem pra cá, nossa região o que predomina é o sertanejo, então ter uma mina campeã de freestyle no meio de tudo isso representa muita coisa.”

A declaração evidencia como sua vitória também contribuiu para ampliar a visibilidade de artistas que constroem o movimento hip-hop fora dos centros tradicionalmente mais reconhecidos.

O futuro das mulheres nas batalhas

Três anos depois do título, Kaemy observa mudanças positivas na participação feminina nas batalhas de rima. Segundo a artista, cada vez mais mulheres conquistam espaço no freestyle, embora ainda existam desafios relacionados à visibilidade e ao apoio oferecido às competidoras.

“Acho que as minas vem conquistando cada vez mais lugar nessa cena e de forma espetacular, ainda falta mais visibilidade feminina na cena das batalhas e mais respaldo pra essas mulheres se soltarem mais.”

Para aquelas que desejam começar a rimar, mas ainda não se sentem acolhidas nesse ambiente, a campeã incentiva a busca por espaços voltados às mulheres, que podem tornar os primeiros passos mais confortáveis.

“Só vai, não tem que pensar muito, se tiver vontade mesmo tem que por a cara e se aventurar, procurar movimento voltado pra mulheres no começo assim se sente mais confortável e depois vai se acostumando. Logo já tá quebrando geral em qualquer batalha.”

Uma trajetória além das competições

Embora o título de 2023 seja um dos principais marcos de sua carreira, Kaemy continua ampliando sua atuação dentro da cultura hip-hop.

Além de seguir participando de batalhas e compondo músicas autorais, a artista também realiza oficinas em escolas e instituições, compartilhando conhecimentos e contribuindo para a formação de novos participantes do movimento.

Kaemy revelou ainda que pretende concluir, no fim de 2026, sua formação como agente territorial de cultura, fortalecendo sua atuação em iniciativas ligadas ao hip-hop.

“Quero contribuir de várias formas pro segmento hip hop”, destacou.

Da jovem que descobriu as batalhas pelo YouTube à primeira mulher campeã do Duelo Nacional de MCs, Kaemy construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo. Em 2023, ela fez história ao conquistar o título. Hoje, segue trabalhando para que sua contribuição ao hip-hop vá muito além daquela vitória e para que outras mulheres também possam escrever seus próprios capítulos nas batalhas de rima.

Escrito por Luisa Leão


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